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CRÔNICA DA ANA CURIOSA - O ENCONTRO DO POETA E A POESIA

Enviado: 04/07/2017
por Ana curiosa
O poeta andava cabisbaixo. Estava num período sabático sem" poetar" (ou seria punhetar?) e cada vez mais fechado em si mesmo e em seus tragos e goles, ele tinha esquecido como criar e amar. Até que um dia, ao ir renovar seu estoque de vícios tediosos ele a encontrou.
Ela se movia como numa câmera lenta, aquele estilo de filme água com açúcar dos anos noventa. Todas as suas curvas giravam em torno de seu próprio eixo parecendo gritar por algo que a fizesse suar, tremer. Até que seus olhos se encontraram. Disseram palavras amenas de quem não se conhecia, mas seus corpos chamavam um pelo outro. Até que ela se apresentou: meu nome é Poesia. Às vezes me dou por dinheiro, às vezes por prazer, outras pela dor. O poeta fez ecoar em si aquelas frases e a convidou para um café. Naquele apartamento às 16 a Poesia, tirava seu vestido vermelho escarlate e exibia num misto de orgulho e excitação seu corpo ao Poeta. Amarrou seu cabelo num coque volumoso, e uma mecha negra insistia em lhe cair sobre os olhos. Beijaram-se nos lábios. O Poeta tinha gosto de desamor. A Poesia tinha fome. Escorregou-lhe os dedos pelo peito do Poeta e tocou-lhe o pau. Ajoelhou-se aos seus pés e o adorou de joelho, engolindo seu membro e alternando movimentos como se lhe fosse sugar sua alma. Ele por sua vez lhe caçava a buceta como um animal no cio. Tocou-lhe. A flor se abriu. Se assemelhava a uma romã, roseada e úmida. Quente. Muito quente. Queimava-lhe os dedos. Ele decidiu ir mais fundo. Queimar a si mesmo. Penetrou-lhe olhando nos olhos. A Poesia não gostou de ser penetrava por cima. Resolveu sentar. E fazia com uma maestria, uma beleza e uma força que adiantavam cada vez mais o momento final dos dois. Ela pediu pra que ele parasse. Ele não entendeu. Ela queria absorve-lo de todo, sentir seu gosto. Consumi-lo. Ele a atendeu. Enquanto ele chegava ao auge de sua produção literária na boca quente e pintada de vermelho da poesia. Ela fazia seus próprios dedos dançarem em sua romã.
Ao acordar no dia seguinte, ele estava sozinho de novo. Pintado de vermelho, no espelho do banheiro estava escrito: não posso fugir a minha essência. Eu, Poesia, só vim para fuder com você.

Re: CRÔNICA DA ANA CURIOSA - O ENCONTRO DO POETA E A POESIA

Enviado: 27/09/2017
por DOM JUAN
Belíssimo 37** 37** 37** 37**

Re: CRÔNICA DA ANA CURIOSA - O ENCONTRO DO POETA E A POESIA

Enviado: 28/09/2017
por Whats f
Totalmente excelente, Ana !

Inclusive pontuei teu perfil, já havia motivo(s) para isso
e, se eu pudesse, faria de novo !



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