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CRÔNICAS DE AUSLA

Enviado: 21/03/2020
por Ausla
Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, finge-se um "amorzinho" para iniciar. O amor está virando um hors-d’oeuvre para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há sexo seguro, mas não há camisinha para o amor. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado.
Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá...

Re: CRÔNICAS DE AUSLA

Enviado: 22/03/2020
por Ausla
Desistir é bem mais fácil que continuar.
Mais não trás "prazer".
Não trás satisfação.
Não trás alegria.
Aquele gostinho do: Foi difícil, mas consegui.

Quando vc desisti, o que fica é a sensação de perda: Perda de tempo, perda de vontade, perda, perda,perda...

Todo tempo é preciso.
E tudo que vc começa e não termina, leva um pouco do seu tempo.
Chega uma hora que, vc percebe, tanto tempo se passou e nada se concretizou. Fica uma pergunta: E se eu tivesse terminado? ......

Daí vc pensa: Vou retomar. Continua de onde parei.
As vezes da, as vezes terá que começar tudo de novo.
E claro tudo nesse momento vai depender do seu estado emocional. Pq pensar e fazer, são duas coisas diferentes.

No fundo a melhor opção é: TERMINAR O QUE SE COMEÇA.
Não importa se vc vai chorar, vai ter que abrir mão de algo, vai ficar de mal humor, vai ter que vender o almoço pra comprar a janta.
O importante é AQUELE TAL PRAZER DO....... CONSEGUI, MESMO SENDO DIFÍCIL.

Re: CRÔNICAS DE AUSLA

Enviado: 25/03/2020
por Ausla
DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.

Gosto de ser amada....
Mais realmente dar sem compromisso é muito bom.


Re: CRÔNICAS DE AUSLA

Enviado: 26/03/2020
por Ausla
Não reprimo meu desejo!
Como tudo que tenho vontade.
Bebo tudo que quero,e na quantidade que posso.
Realizo os meus planos inconsequentes.
Transo sempre com minhas ousadias.
Faço amor com quem me der na telha.
Durmo pouco ou muito quando estou com vontade.
Eu desejo o meu desejo, e pelos meus desejos pago o preço (Grande preço).
Só loucos são felizes nessa vida.
Sou muito louca!