CONTO ERÓTICO: A UTOPIA DE UMA SUBMISSA ➰
Enviado: 12/10/2026
UMA INDÍGENA, UM HOMEM VIRIL E UMA DESPEDIDA QUE SE TORNOU UMA UTOPIA
Quarta-feira, 7 de outubro.
Existem homens que passam pela nossa vida. Outros permanecem na memória. E existem aqueles que, sem sequer encostar um dedo na nossa pele, conseguem despertar desejos que nem sabíamos que carregávamos.
Esta é a história de um desses homens.
E de uma índia dos Pampas que, pela primeira vez, desejou entregar as rédeas.
Era quarta-feira. O dia havia sido cansativo, daqueles que parecem testar cada restinho de paciência que a gente ainda tem.
Deitada na cama, peguei o celular e abri a conversa de um certo carioca.
Fiquei ali, olhando para a tela, procurando uma desculpa qualquer para mandar mensagem.
Bah, mas que situação!
Eu, uma mulher adulta, independente, acostumada a resolver minhas próprias peleias, estava tentando inventar um motivo para conversar com um homem.
Foi quando apareceu:
Digitando...
Meu coração deu um salto.
Sorri sozinha.
Pensei que talvez existissem mesmo essas coincidências bonitas da vida. Eu pensando nele, ele pensando em mim.
Mas os segundos passaram.
E nada.
O homem parou de digitar.
Esperei mais um pouco, até que a curiosidade venceu qualquer tentativa de manter a pose.
— Tu estava digitando alguma coisa e não mandou?
— Não queria ser chato, por isso parei.
Sorri.
— Pois acredita que eu estava com a nossa conversa aberta, pensando em te mandar mensagem?
A resposta chegou poucos segundos depois.
— Se porventura pensar em mim, me mande mensagem para que eu possa fazer valer a pena o pensamento.
Barbaridade, guri...
Li aquela frase mais de uma vez.
Havia algo naquele homem que me desconcertava. Uma segurança tranquila, uma maneira de escolher as palavras como se soubesse exatamente onde queria chegar.
E, de alguma forma, eu queria que ele chegasse.
Antes que pudesse responder, outra mensagem iluminou a tela.
— Deixa eu fazer você entender por que pensa tanto em mim.
Fiquei imóvel.
Não sei explicar o que aconteceu naquele instante. Talvez tenha sido a ousadia da frase. Talvez a confiança com que ele a escreveu.
Ou talvez fosse simplesmente porque eu desejava ouvir aquilo justamente dele.
Eu queria encontrá-lo.
Queria muito.
Mas estava machucada, sentindo dor, e sabia que naquela noite não conseguiria sair.
Expliquei.
Ele não insistiu.
E foi justamente essa ausência de insistência que me deixou ainda mais interessada.
Porque aquele homem parecia compreender que a sedução não precisava de pressa.
Então ele escreveu:
— Não sei se você já foi inteiramente beijada de olhos vendados. Se já sentiu a respiração de alguém antes mesmo de sentir o toque. Se já experimentou a expectativa de não saber onde virá o próximo beijo...
Fechei os olhos por alguns segundos.
Imaginei a cena.
A escuridão suave de uma venda.
O silêncio de um quarto.
A respiração de alguém muito próximo.
Aquela fração de segundo em que sabemos que um beijo está chegando, mas ainda não sabemos quando.
Era uma intimidade diferente de tudo que eu havia imaginado para aquela noite.
Respondi:
— Tu sabe onde eu queria estar agora?
— Onde?
— Sentada no teu colo, com meus braços ao redor do teu pescoço, sentindo teu abraço e esquecendo que daqui a poucos dias vou embora.
Ele respondeu:
— Preciso povoar teu imaginário com desejos que você tem e que só precisam ser explorados.
E foi naquele momento que decidi contar algo que havia guardado até de mim mesma.
— Sabe o que eu quero muito experimentar antes de subir naquele avião?
— Me conta.
Respirei fundo.
— Dominação.
A palavra ficou ali, solitária na tela.
Eu a observei como quem acaba de abrir uma porta sem saber exatamente o que encontrará do outro lado.
— Quero descobrir como é confiar em um homem a ponto de permitir que ele me conduza. Quero experimentar isso contigo.
Houve uma pequena pausa.
Então veio a resposta:
— Posso vendar seus olhos. Prender suas mãos, se você desejar. Fazer você prestar atenção na minha voz, na minha presença e em cada sensação. Sem pressa. E você poderá me pedir para parar a qualquer momento.
Meu coração acelerou.
Era estranho perceber que aquilo que mais me atraía não era a ideia de estar presa.
Era a liberdade de escolher confiar.
A possibilidade de abandonar, por alguns instantes, a necessidade de controlar tudo.
Eu, que tantas vezes precisei ser forte, firme e dona das minhas decisões, desejava conhecer uma versão diferente de mim.
Uma mulher que pudesse simplesmente fechar os olhos e confiar.
— Eu quero, guri. Quero muito que tu faça isso comigo.
Foi quando ele enviou o primeiro áudio.
Apertei o play.
E, meus amigos...
Que voz tinha aquele homem.
Grave.
Rouca.
Lenta.
Não era uma voz apressada, dessas que atropelam as palavras.
Ele falava como quem conhece o valor de cada silêncio.
Eu estava deitada, com minhas amigas na cama ao lado. O quarto tinha aquela iluminação discreta de fim de noite, e o ar-condicionado fazia um ruído constante.
Mas bastou colocar os fones para tudo ao redor perder importância.
Sua voz parecia próxima.
Tão próxima que, por alguns instantes, tive a impressão de que ele estava sentado na beirada da minha cama.
Ele me pediu que fechasse os olhos.
Fechei.
Pediu que imaginasse sua presença.
Imaginei.
Começo a tocar, de forma rápida e coordenada, o meio das minhas coxas, enfiando meus dedos cada vez mais fundo e mais rápido nas minhas cavidades, enquanto escuto o som da sua voz.
Gozei nesse ritmo frenético de misturas sensoriais. Gozei gritando o seu nome alto, com o peito arfando, a cama molhada e o corpo exausto após toda aquela descarga de adrenalina.
A cada áudio, minha curiosidade aumentava.
Eu queria saber como seria encontrá-lo pessoalmente depois daquela conversa.
Se ele sustentaria meu olhar.
Se teria aquela mesma calma diante de mim.
Se perceberia meu nervosismo.
E, principalmente, se conseguiria despertar em mim a mesma confiança que suas palavras estavam despertando.
Em determinado momento, tirei um dos fones e olhei para minhas amigas.
Continuavam ali inertes
naquela noite, sua voz havia se tornado o lugar onde eu mais desejava estar.
Quando a conversa terminou, permaneci alguns minutos olhando para o teto.
O celular repousava sobre meu peito.
Eu ainda sorria.
E pensava naquele homem.
Na sua voz.
Na tranquilidade de suas palavras.
Na promessa de um encontro que agora parecia inevitável.
Queria estar diante dele.
Queria sentir suas mãos segurando as minhas enquanto me perguntava se eu estava pronta.
Queria responder olhando diretamente nos seus olhos:
— Estou, guri. Mas quero ver se tu é tudo isso mesmo que promete.
E então permitir que a noite seguisse seu próprio caminho.
Sem relógios.
Sem despedidas.
Sem a obrigação de ser forte o tempo inteiro.
Apenas duas pessoas descobrindo, juntas, até onde poderia chegar aquela confiança.
Mas a vida, meus queridos, tem um senso de humor que às vezes chega a ser uma barbaridade.
Porque entre aquela indígena da fronteira e o carioca que ela havia escolhido para ser seu Dom surgiu um pequeno inconveniente.
Um alemão.
Rico.
Generoso.
E absolutamente decidido a ocupar boa parte dos meus últimos dias no Rio de Janeiro.
Pois é.
Quem diria que, depois de atravessar mais de dois mil quilômetros, enfrentar saudades, calor carioca e tantas aventuras, seria justamente um alemão a atravessar o caminho daquela índia?
O destino, quando resolve ser bagual, não tem consideração por ninguém.
E assim, entre compromissos, despedidas e uma passagem de avião, o encontro que eu tanto desejava precisou ficar para depois.
Mas algumas vontades não obedecem à geografia.
Não desaparecem porque a gente muda de cidade.
Não se desfazem com uma passagem comprada.
Existem desejos que permanecem silenciosos, esperando a oportunidade certa de deixar de ser imaginação.
E aquele homem havia se tornado um deles.
Ao carioca que escolhi para ser meu Mestre, meu Dom...
Tu talvez não tenha percebido o que aconteceu naquela quarta-feira.
Talvez não imagine quantas vezes voltei a ouvir tua voz.
Ou quantas vezes pensei em como seria estar diante de ti, sem a proteção de uma tela, sem mensagens para esconder meu nervosismo.
Tu despertou em mim uma vontade que eu ainda não conhecia.
Não apenas de ser desejada.
Mas de confiar.
De permitir que alguém me conduzisse por um caminho desconhecido, sabendo que eu poderia escolher cada passo.
E isso, para uma índia teimosa da fronteira, não é pouca coisa.
Estou voltando para o Rio Grande do Sul levando algumas saudades, muitas histórias e uma promessa que não pretendo esquecer.
A nossa história começou com uma mensagem que tu quase não enviou.
E terminou, por enquanto, com um encontro que não aconteceu.
Mas presta atenção, guri...
A índia dos Pampas ainda vai voltar.
E quando eu voltar, quero descobrir se aquele homem de voz rouca e palavras tão seguras será capaz de me olhar nos olhos e provocar o mesmo arrepio que senti naquela noite.
Quero conhecer o homem por trás daquela voz.
Quero descobrir o que acontece quando a imaginação finalmente encontra a realidade.
Porque tuas vendas, tuas cordas e tuas promessas não podem continuar existindo apenas nos meus pensamentos.
E talvez seja isso que torne nossa história tão inquietante.
Não foi uma despedida de algo que vivemos.
Foi uma despedida de tudo aquilo que ainda poderíamos ter vivido.
Até breve, meu Dom.
Da tua índia da fronteira, que está levando para os Pampas uma saudade de algo que ainda nem aconteceu.
Quarta-feira, 7 de outubro.
Existem homens que passam pela nossa vida. Outros permanecem na memória. E existem aqueles que, sem sequer encostar um dedo na nossa pele, conseguem despertar desejos que nem sabíamos que carregávamos.
Esta é a história de um desses homens.
E de uma índia dos Pampas que, pela primeira vez, desejou entregar as rédeas.
Era quarta-feira. O dia havia sido cansativo, daqueles que parecem testar cada restinho de paciência que a gente ainda tem.
Deitada na cama, peguei o celular e abri a conversa de um certo carioca.
Fiquei ali, olhando para a tela, procurando uma desculpa qualquer para mandar mensagem.
Bah, mas que situação!
Eu, uma mulher adulta, independente, acostumada a resolver minhas próprias peleias, estava tentando inventar um motivo para conversar com um homem.
Foi quando apareceu:
Digitando...
Meu coração deu um salto.
Sorri sozinha.
Pensei que talvez existissem mesmo essas coincidências bonitas da vida. Eu pensando nele, ele pensando em mim.
Mas os segundos passaram.
E nada.
O homem parou de digitar.
Esperei mais um pouco, até que a curiosidade venceu qualquer tentativa de manter a pose.
— Tu estava digitando alguma coisa e não mandou?
— Não queria ser chato, por isso parei.
Sorri.
— Pois acredita que eu estava com a nossa conversa aberta, pensando em te mandar mensagem?
A resposta chegou poucos segundos depois.
— Se porventura pensar em mim, me mande mensagem para que eu possa fazer valer a pena o pensamento.
Barbaridade, guri...
Li aquela frase mais de uma vez.
Havia algo naquele homem que me desconcertava. Uma segurança tranquila, uma maneira de escolher as palavras como se soubesse exatamente onde queria chegar.
E, de alguma forma, eu queria que ele chegasse.
Antes que pudesse responder, outra mensagem iluminou a tela.
— Deixa eu fazer você entender por que pensa tanto em mim.
Fiquei imóvel.
Não sei explicar o que aconteceu naquele instante. Talvez tenha sido a ousadia da frase. Talvez a confiança com que ele a escreveu.
Ou talvez fosse simplesmente porque eu desejava ouvir aquilo justamente dele.
Eu queria encontrá-lo.
Queria muito.
Mas estava machucada, sentindo dor, e sabia que naquela noite não conseguiria sair.
Expliquei.
Ele não insistiu.
E foi justamente essa ausência de insistência que me deixou ainda mais interessada.
Porque aquele homem parecia compreender que a sedução não precisava de pressa.
Então ele escreveu:
— Não sei se você já foi inteiramente beijada de olhos vendados. Se já sentiu a respiração de alguém antes mesmo de sentir o toque. Se já experimentou a expectativa de não saber onde virá o próximo beijo...
Fechei os olhos por alguns segundos.
Imaginei a cena.
A escuridão suave de uma venda.
O silêncio de um quarto.
A respiração de alguém muito próximo.
Aquela fração de segundo em que sabemos que um beijo está chegando, mas ainda não sabemos quando.
Era uma intimidade diferente de tudo que eu havia imaginado para aquela noite.
Respondi:
— Tu sabe onde eu queria estar agora?
— Onde?
— Sentada no teu colo, com meus braços ao redor do teu pescoço, sentindo teu abraço e esquecendo que daqui a poucos dias vou embora.
Ele respondeu:
— Preciso povoar teu imaginário com desejos que você tem e que só precisam ser explorados.
E foi naquele momento que decidi contar algo que havia guardado até de mim mesma.
— Sabe o que eu quero muito experimentar antes de subir naquele avião?
— Me conta.
Respirei fundo.
— Dominação.
A palavra ficou ali, solitária na tela.
Eu a observei como quem acaba de abrir uma porta sem saber exatamente o que encontrará do outro lado.
— Quero descobrir como é confiar em um homem a ponto de permitir que ele me conduza. Quero experimentar isso contigo.
Houve uma pequena pausa.
Então veio a resposta:
— Posso vendar seus olhos. Prender suas mãos, se você desejar. Fazer você prestar atenção na minha voz, na minha presença e em cada sensação. Sem pressa. E você poderá me pedir para parar a qualquer momento.
Meu coração acelerou.
Era estranho perceber que aquilo que mais me atraía não era a ideia de estar presa.
Era a liberdade de escolher confiar.
A possibilidade de abandonar, por alguns instantes, a necessidade de controlar tudo.
Eu, que tantas vezes precisei ser forte, firme e dona das minhas decisões, desejava conhecer uma versão diferente de mim.
Uma mulher que pudesse simplesmente fechar os olhos e confiar.
— Eu quero, guri. Quero muito que tu faça isso comigo.
Foi quando ele enviou o primeiro áudio.
Apertei o play.
E, meus amigos...
Que voz tinha aquele homem.
Grave.
Rouca.
Lenta.
Não era uma voz apressada, dessas que atropelam as palavras.
Ele falava como quem conhece o valor de cada silêncio.
Eu estava deitada, com minhas amigas na cama ao lado. O quarto tinha aquela iluminação discreta de fim de noite, e o ar-condicionado fazia um ruído constante.
Mas bastou colocar os fones para tudo ao redor perder importância.
Sua voz parecia próxima.
Tão próxima que, por alguns instantes, tive a impressão de que ele estava sentado na beirada da minha cama.
Ele me pediu que fechasse os olhos.
Fechei.
Pediu que imaginasse sua presença.
Imaginei.
Começo a tocar, de forma rápida e coordenada, o meio das minhas coxas, enfiando meus dedos cada vez mais fundo e mais rápido nas minhas cavidades, enquanto escuto o som da sua voz.
Gozei nesse ritmo frenético de misturas sensoriais. Gozei gritando o seu nome alto, com o peito arfando, a cama molhada e o corpo exausto após toda aquela descarga de adrenalina.
A cada áudio, minha curiosidade aumentava.
Eu queria saber como seria encontrá-lo pessoalmente depois daquela conversa.
Se ele sustentaria meu olhar.
Se teria aquela mesma calma diante de mim.
Se perceberia meu nervosismo.
E, principalmente, se conseguiria despertar em mim a mesma confiança que suas palavras estavam despertando.
Em determinado momento, tirei um dos fones e olhei para minhas amigas.
Continuavam ali inertes
naquela noite, sua voz havia se tornado o lugar onde eu mais desejava estar.
Quando a conversa terminou, permaneci alguns minutos olhando para o teto.
O celular repousava sobre meu peito.
Eu ainda sorria.
E pensava naquele homem.
Na sua voz.
Na tranquilidade de suas palavras.
Na promessa de um encontro que agora parecia inevitável.
Queria estar diante dele.
Queria sentir suas mãos segurando as minhas enquanto me perguntava se eu estava pronta.
Queria responder olhando diretamente nos seus olhos:
— Estou, guri. Mas quero ver se tu é tudo isso mesmo que promete.
E então permitir que a noite seguisse seu próprio caminho.
Sem relógios.
Sem despedidas.
Sem a obrigação de ser forte o tempo inteiro.
Apenas duas pessoas descobrindo, juntas, até onde poderia chegar aquela confiança.
Mas a vida, meus queridos, tem um senso de humor que às vezes chega a ser uma barbaridade.
Porque entre aquela indígena da fronteira e o carioca que ela havia escolhido para ser seu Dom surgiu um pequeno inconveniente.
Um alemão.
Rico.
Generoso.
E absolutamente decidido a ocupar boa parte dos meus últimos dias no Rio de Janeiro.
Pois é.
Quem diria que, depois de atravessar mais de dois mil quilômetros, enfrentar saudades, calor carioca e tantas aventuras, seria justamente um alemão a atravessar o caminho daquela índia?
O destino, quando resolve ser bagual, não tem consideração por ninguém.
E assim, entre compromissos, despedidas e uma passagem de avião, o encontro que eu tanto desejava precisou ficar para depois.
Mas algumas vontades não obedecem à geografia.
Não desaparecem porque a gente muda de cidade.
Não se desfazem com uma passagem comprada.
Existem desejos que permanecem silenciosos, esperando a oportunidade certa de deixar de ser imaginação.
E aquele homem havia se tornado um deles.
Ao carioca que escolhi para ser meu Mestre, meu Dom...
Tu talvez não tenha percebido o que aconteceu naquela quarta-feira.
Talvez não imagine quantas vezes voltei a ouvir tua voz.
Ou quantas vezes pensei em como seria estar diante de ti, sem a proteção de uma tela, sem mensagens para esconder meu nervosismo.
Tu despertou em mim uma vontade que eu ainda não conhecia.
Não apenas de ser desejada.
Mas de confiar.
De permitir que alguém me conduzisse por um caminho desconhecido, sabendo que eu poderia escolher cada passo.
E isso, para uma índia teimosa da fronteira, não é pouca coisa.
Estou voltando para o Rio Grande do Sul levando algumas saudades, muitas histórias e uma promessa que não pretendo esquecer.
A nossa história começou com uma mensagem que tu quase não enviou.
E terminou, por enquanto, com um encontro que não aconteceu.
Mas presta atenção, guri...
A índia dos Pampas ainda vai voltar.
E quando eu voltar, quero descobrir se aquele homem de voz rouca e palavras tão seguras será capaz de me olhar nos olhos e provocar o mesmo arrepio que senti naquela noite.
Quero conhecer o homem por trás daquela voz.
Quero descobrir o que acontece quando a imaginação finalmente encontra a realidade.
Porque tuas vendas, tuas cordas e tuas promessas não podem continuar existindo apenas nos meus pensamentos.
E talvez seja isso que torne nossa história tão inquietante.
Não foi uma despedida de algo que vivemos.
Foi uma despedida de tudo aquilo que ainda poderíamos ter vivido.
Até breve, meu Dom.
Da tua índia da fronteira, que está levando para os Pampas uma saudade de algo que ainda nem aconteceu.