MOMENTO CIVIL (PARTE FINAL)
Certas coisas na vida me fazem lembrar a época da escola. As brincadei...
Você precisa estar logado para poder ver o resto deste conteúdo
MOMENTO CIVIL (PARTE FINAL)
Certas coisas na vida me fazem lembrar a época da escola. As brincadeiras sem sentido, o flerte tímido, aquela espontaneidade típica da juventude... Sou uma pessoa extremamente nostálgica, não dá pra negar.
Voltei a ter 15 anos naquele momento. Os ombros curvados para frente, a cabeça inclinada para baixo - entendi que certas coisas não mudam.
"Está gostando da festa?" - questiona o tal forista, que demonstra compartilhar dos mesmos trejeitos que os meus.
"Sim... É a minha primeira festa do ForumX!" - respondo a ele. As mãos atrás da costas abraçavam-se. Os pés, mexiam sem parar. Tais gestos denunciavam euforia - típica de uma colegial.
Durante nossa conversa, toca uma música - não me lembro qual. Sei que no momento em que ela começa, iniciamos uma dança um tanto descoordenada, que levemente consegue se encaixar em nossos corpos e no compasso da música.
Lembro-me de todos os sentimentos. O tempo parecia ter congelado, por alguns instantes. A sua mão em meu pescoço, aquelas costas macias - fez-me lembrar de uma música de Eliz.
A música que tocava já não importava mais. As pessoas ao redor, tampouco. Ouvia apenas o som de sua voz, murmurando em meu ouvido.
Durante aquele ritmo, nossos corpos se uniam, aproveitavam o máximo do seu toque. Eis que nos olhamos. Começamos ali por uma busca - um tanto tímida - pelo beijo do outro.
Sua boca percorria o desenho do meu rosto. Fazia um caminho pelas laterais, contornava a maçã do rosto, desviava pelo nariz, descia para o queixo. Dei-lhe um beijo no pescoço. Um arrepio na pele se faz presente. Ele me beija a boca.
Nossos lábios pareciam velhos conhecidos. Há muito tempo já não provava o flerte, uma conquista - ou como dizemos hoje, uma "ficada". É algo gostoso demais. Volto para os meus 15 anos, novamente.
Me perco no tempo naquele beijo ora lento e romântico, ora eufórico e cheio de malícia.
"Podemos ir para outro lugar?" - meu tesão questiona a ele.
Ele refuga de certa forma, dá uma leve risada, inclina sua boca em meu ouvido: "Eu não trouxe nem dinheiro... Só vim curtir a festa mesmo"
Naquele momento ele me puxa de volta para a realidade: havia esquecido que eu era uma garota de programa. Isso é sério. Certas situações tendem a nos tirar de nossa vida por um breve momento. Aquele havia sido o tal momento.
Olho para ele. Fico com raiva por alguns instantes. Não porque não havia "trazido nem dinheiro", mas porque ele, inconscientemente, me lembra que naquele local eu não era civil: eu era uma profissional.
Um pouco decepcionada, respondo: "Então... Nos vemos um outro dia, né?!"
Ele balança a cabeça positivamente, com aquele belo riso. Nos afastamos e voltamos a ser meros convidados da festa. Voltamos ao mundo real.
Fico ainda por um tempo naquele local, mas o cansaço físico não me permite continuar mais. Eu e Paloma decidimos voltar para casa.
Durante o caminho para casa, penso nas situações da festa e por quanto tempo deixei de viver tudo aquilo. Amei ter vivido aqueles momentos únicos, com pessoas únicas. Amei cada segundo, cada sensação. Experiência ímpar.
Volto para casa ainda meio desnorteada. Durmo com um sorriso no rosto.
Acordo no dia seguinte pronta para mais um dia.
A vida - e os atendimentos - continuam. Ainda bem.