ELA (PARTE III)
Ao descer, chego próxima ao palco e nele sobe uma menina. Esta tomará um espaço ...
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ELA (PARTE III)
Ao descer, chego próxima ao palco e nele sobe uma menina. Esta tomará um espaço significativo nessa parte da crônica.
Digo isso porque os primeiros minutos em que ela esteve naquele palco, meus amigos, eu congelei onde estava - só para admirá-la.
O que vejo naquele palco, fora uma bela ruiva tatuada e cheia de piercings? Vejo um alguém que conseguia emanar simpatia, feminilidade, espontaneidade, energia, tesão... como uma bomba aos olhos de quem admirava com veemência!
Nos segundos que antecediam a chegada de outra menina, ela ria. Não sei de quê, pra quê, por quê. Mas sei que era uma gargalhada que desestabilizaria qualquer um que realmente admirasse tal ação. Em questão de instantes. Me apaixonei por aquilo. Dava vontade de, não sei qual é a palavra. Ainda vou tentar descobrir...
O corpo dela era todo desenhado. O dragão tatuado, assim como o piercing no belo rosto, compunham o corpo dessa bela moça - assim como uma bela moldura que tem uma pintura excepcional. Não tem como simplesmente não olhar.
Ela era uma poesia personificada.
Alguns segundos depois chegou outra menina e a agarra.
Um homem se aproxima e passa chocolate nos seios da ruiva. A outra menina e a Paloma se juntam para lamber todo aquele doce de sua pele.
A poesia havia se transformado em um cancioneiro.
Eu decido, num impulso meio maluco, me aproximar, e beijar o restante de seu corpo.
Naquele corpo, aquele chocolate ficava mais doce, mais saboroso, mais quente. Eu quis me perder nas curvas daquela mulher, como um homem que deseja se perder numa estrada, pilotando uma Harley Davidson. Apenas com o vento no rosto e nada mais. Você não deseja mais voltar pra casa. Nunca mais.
No meio daquele frenesi, um homem (tinha aparência de 'bem nascido') se aproxima com uma cadeira erótica. Lá, a estrela do show se deita e como uma fonte no oásis, outras mulheres sedentas vieram beber de sua água. Todas ao mesmo tempo.
Fui para o seu lado direito e nos segundos que misturavam sons, gemidos, euforia, e risadas, alguns deles congelaram para mim: o momento em que eu faleci no seu sorriso, e renasci no seu beijo.
Nesses pouquíssimos segundos, ela levemente se inclina para mim. Alisei o dragrão de suas costas macias. Senti o gozo que vinha. Minha mão mapeava todo o restante do seu corpo. Não havia nenhum atrito naquela pele, a não ser o arrepio que antecedia os leves gemidos que vinham no meu ouvido.
Ela soltou os meus lábios. Sorri novamente pra mim. Começo a lamber seus seios. O chocolate estava ainda mais doce naquela hora.
Quando tiro os olhos daquele monumento que estava deitado na minha frente e olho ao redor, tinham várias pessoas que se atracavam, se beijavam, se tocavam. Como se tivessem fome umas das outras.
Naquele instante, decido levantar e sair.
Paloma me puxa no canto e me beija. Confesso que havia perdido ela de vista depois dos fatos citados acima.
O beijo dela, o gosto de sua boca, junto com o gosto da pele daquela ruiva, e o conjunto de cheiros das meninas que estavam em sua pele, era a melhor mistura de sentidos que poderia ter visto, sentido, cheirado e provado. Era algo acima da perfeição.
Beijando aquela boca conhecida desde os meus 15 anos, não seria novidade dizer que me perdi por alguns bons segundos nos lábios dela também. Ela já me conhece. E muito bem, por sinal.
Ela me solta e decide se juntar ao mutirão novamente.
Eu volto para o mundo real, subo numa cadeira e vejo toda a cena de cima: era uma mistura de corpos gigantesca. Inenarrável.
Volto para a companhia do meu querido amigo forista. Riros por alguns instantes das situações da vida, do Universo, e tudo mais.
Enquanto papeávamos, um forista decide me abordar.
"Thaís?" - ele questiona.
"Sim, quem é!?" - Eu questiono.
Ele dá uma risada sacana, uma olhada de canto.
"Não sabe mesmo quem sou eu?" - questiona misteriosamente.
Depois de alguns instantes pensando, arregalo os olhos de surpresa e esboço um sorriso de alegria.
Aquele forista. Aquele homem era o homem que eu queria naquela noite.
CONTINUA...